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A CONJUGAÇÃO ENTRE OS TERMOS

Atualizado: 17 de mar. de 2021

A conjugação entre os termos #arte #mercado #economia #dinheiro #poder costuma soar problemática, mas essas alianças atravessam o tempo-espaço.



Como forma de extensão do poderio econômico e cultural da igreja e da realeza surgiram os primeiros grandes ícones das artes. Por ali, na época do renascimento, viviam em castelos figuras como Michelangelo e Leonardo da Vinci; os ateliês de artesãos, heranças de casta, dão espaço às academias e este fazer começa a ganhar função e relevância cultural.


Os mecenas surgem como personagens importantes, pertenciam a famílias com fortunas forjadas sobre colonização, escravização, sucateamento e roubo, responsáveis pelo ‘desenvolvimento’ das artes. Seja através da manutenção de artistas ou da compra de obras, dos lucros exorbitantes de uma especulação aleatória, ou pelo controle do visível e seu decorrente prestígio. O gosto pela arte nunca foi ingênuo.


A burguesia emergente pós revolução industrial não demorou a entender e se apropriar do esquema como forma de aproximar-se do status quo de uma classe já ‘ultrapassada’. Com muito dinheiro e pouco refinamento, o apreço pela arte lhes garantiria aquela distinção social.


A arte contemporânea, apesar de tudo, é muito próxima ao capital. Ainda que o progresso da industrialização e do capitalismo, a produção em série e a homogeneização do mundo e das imagens sejam temas recorrentes de obras artísticas, o enriquecimento de alguns artistas, galeristas, curadores e marchands revelam meandros e negociações dos bastidores.


A arte continua sendo uma ferramenta de manutenção da hegemonia das classes dominantes e sua estética nos atravessa quase que como um punhal. Não à toa, os corpos lembrados como protagonistas são de artistas abastades, de famílias ricas, com posses, bens e heranças e daquelus que conseguem entre um drama e outro, entre uma tela e outra, seguir pelas eras, décadas e editais impondo seu discurso estético político.


Alguns casos marcantes, como o mural de Diego Rivera para os Rockefeller*, nos mostra uma face real, muitas vezes pintada e esculpida, ou dissimulada mesmo, do capital e nos mostram pistas.


*me lembrei desse caso enquanto escrevia o texto. Em 1933, o mexicano Diego Rivera fora contratado pelo magnata Rockefeller para pintar um mural no edf Rockefeller Center em NY. Na obra intitulada “O Homem na Encruzilhada dos Caminhos ou o Homem Controlador do Universo”, Rivera pintou a figura de Lênin, que era temido pelos capitalistas selvagens. Considerada um insulto, a obra foi destruída antes mesmo de ser concluída, mas Diego pintou uma réplica da obra no palácio das belas artes no México.

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