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  • @pomba_sheeva

INICIATIVAS PARA VIVER DIGNAMENTE NAS ARTES

Atualizado: 17 de mar. de 2021



Existir dignamente é uma urgência. Tode artiste que cria é como um rio que precisa escoar. Águas retidas criam lodo e perdem suas propriedades mananciais.


Ao estudar a rede de consumo de artes é possível entender que essa é uma rede social de contatos fechada. Trata-se de uma rede direcionada por um “status quo” gerido pela branquitude, detentora de meios de produção, e que tem como objetivo a reiteração de si mesma na própria rede. O resultado disso é uma conexão restrita aos que já pertencem a ela.


Dentro dessa estrutura, corpes estranhes são estigmatizades e/ou usades e excluídes. A pergunta que chega a todes artistes dissidentes, seja pela interseccionalidades de raça, de classe ou de gênero, é: como viver com dignidade trabalhando com arte? Pergunta que não se limita a uma questão de mercado, mas atinge esferas estéticas e políticas.


A existência envolve uma economia, e não é possível pensar nos desafios de realização de ideias artísticas sem pensar nos recursos financeiros que são necessários para cada obra/invenção acontecer.


Como artiste, que vive a partir dessa realidade de precariedade de recursos e da necessidade de autogerir a própria projeta, reverto a lógica comum da precariedade enquanto falta, retomando tecnologias ancestrais e o saber-fazer como potência. Nesse cenário, minhas estratégias tem sido: deslocamento em território nacional e internacional com apoios financeiros públicos e/ou privados; aprendizagem de línguas estrangeiras; expansão de network profissional; e conexão com pequenas comunidades e agrupamentos temporários de artistes individuais que desejam partilhar recursos e otimizar processos criativos.


Essas são algumas das ações que podemos tomar para viver de artes a fim de prosperar em ondas, pois entendo que, quanto mais artistes como eu prosperarem, mais cresceremos juntes, formando uma espécie de autonomia compartilhada e não determinada pela lógica de representatividade. Assim, é possível construir coletivamente um circuito de fruição e equivalências existenciais e econômicas.


O que vc tem feito para existir com dignidade?

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