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[ENTREVISTA] Suana Emile

[Presidente e co-fundadora do grupo Valse D’amour]


Para os desavisados, em Salvador existe uma representação bastante numerosa de grupos de dança de valsa organizados. De maneira autônoma, esses grupos são formados muitas vezes por vizinhos que residem em bairros afastados dos centros e que se juntam para fazer arte. Inicialmente se apresentavam em festas de 15 anos, mas hoje procuram criar seus próprios espaços em festivais e concursos, como uma forma de reforçar suas redes, valorizar e visibilizar seus trabalhos.


Um dos eventos da cidade que reúne uma quantidade significativa destes grupos foi promovido no mês de Abril, trata-se da mostra Valsa Salvador (@valsasalvador). Foi por meio da divulgação deste evento nas redes sociais que encontrei agentes que, por meio do compartilhamento de seus conhecimentos e informações, puderam contribuir com nossa vontade de expandir os laços e com nossa necessidade de observar as estratégias de sobrevivências que existem além dos circuitos hegemônicos de dança já valorizados pelo setor cultural do estado.


Durante a conversa, registrada abaixo, lembrei da controvérsia sobre a palavra “amadores”. Foi assistindo a uma peça de mesmo nome (Cia Hiato-SP) que a reflexão sobre seu significado se ampliou para mim. No senso comum, o termo é usado para identificar algo de menor valor, de baixo custo, de menos aprumo estético ou com pouco profissionalismo. As palavras colocam nossas ideias em disputas e foi assim que comecei a entender os “amadores” a partir de outra perspectiva - quase em resposta política a esse lugar no qual algumas práticas são relegadas no senso comum em oposição aos “profissionais”. Por outra via, amadores são aqueles que amam, fazem por amor, amam o que fazem independente das dificuldades. Amam inclusive as dores e dificuldades de realizar sua arte. “Ama-dores”. Isso é um pouco do que entrevemos na entrevista adiante.


No caso da valsa, o segundo significado se fortalece, pois em nenhum momento observei nos trabalhos dos grupos as características pejorativas que esta nomeação carrega. O que encontrei foi a inquietação de continuar dançando para além das dificuldades que seus integrantes possam ter. Me deparei com grupos organizados em funções, com estratégias para reunir dinheiro e evitar que os integrantes tenham prejuízos. Grupos que cuidam de seus componentes e que estão em contato contínuo de cuidados e consciência das suas escolhas estéticas e, por fim, grupos com acabamento primoroso de quem se dedica com amor ao que faz e com o que se tem.


Após algumas tentativas de contato, recebi a resposta do grupo Valse D’amour. O que me chamou a atenção neste grupo foi ver, em seu perfil no Instagram: @valsedamouroficial, uma sequência de vídeos feitos este ano que tratam de assuntos sobre a pandemia da COVID-19 gravados em lugares públicos.


Observando o material disponível nas redes, vi também que houve, ali, um desafio para quem costuma criar espetáculos direcionados a um número grande de pessoas. Os grupos, que parecem ser compostos, em média, por 20 a 30 componentes - como as quadrilhas de São João - precisaram criar suas coreografias para espectadores que os assistirão através de uma tela, sem a presença imponente de figurinos, acessórios, cenários e a numerosidade de corpos que atuam na cena usual destes espetáculos.


Foi por meio dessas pesquisas, realizadas com interesse e curiosidade, que consegui o contato de Suana Emile, diretora e co-fundadora do grupo Valse D’amour, com quem tive o prazer de conversar durante uma hora em uma vídeo-chamada. O resultado dessa troca pode ser conferido a seguir.

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Thulio Guzman [T.G.]: Boa tarde Suana, primeiro gostaria de saber um pouco sobre você e sobre o Valse D’amour...


Suana Emile [S.E.]: Boa! Então, eu sou Suana Emile. Tenho 28 anos e atualmente resido no Uruguai, na cidade Baixa. Comecei com a dança muito novinha, cresci com a dança de salão. Minha mãe me deixava com minha avó, que era professora de dança de salão, então, involuntariamente, participava das aulas de cantinho. Não fiz aula em outros locais, fui crescendo no costume rotineiro das aulas com minha vó.

Fotografia do acervo pessoal de Suana Emile


Minha mãe sempre sonhou com [meus] 15 anos... da debutante... debutar que ela não teve e que por sua vez sonhava com isso. Quando eu fiz 13 anos, começamos a buscar grupos de valsa na cidade, porque ela queria um “quinze anos” tradicional. Foi quando eu conheci o mundo da valsa. Nessa busca, logo de cara me encantei e me encontrei na valsa. No mesmo ano, me tornei valsista e quadrilheira, pois na mesma época também entrei na quadrilha de São João.


Como eu era muito jovem, algumas quadrilhas não me aceitavam no início, pois tinha idade para a quadrilha infantil. Já as quadrilhas infantis, por eu ser um pouco maior de altura, não me aceitavam. Aí fiquei pelejando. Passei 2006 só assistindo. Mas quando completei 14 anos, que é a idade mínima para entrar numa quadrilha de adulto, em 2007, comecei a participar da quadrilha. Porém, já ensaiava na valsa pra me adaptar, até pra preparar os meus 15 anos. Só que o espírito da dança de salão de minha avó, que tinha crescido em mim, não me deixou participar apenas para dançar meus 15 anos. Eu queria meter o dedo, mostrar, ensinar de onde veio a vertente da valsa, que o braço é assim’, que o homem conduz embaixo, ali, ‘tá errado o jeito que pega’... Cresci vendo minha vó corrigir e já, de imediato, queria corrigir também.

Aí, foi mais ou menos entre 2010 e 2011 que, nesse mesmo grupo que fazia parte, me convidaram a compor o quadro de coreógrafos. Então entrei nesse grupo para participar como coreógrafa, contribuir coreograficamente, pegar as meninas pra consertar postura, pés, tudo muito voltado para a dança de salão, e não era voltado pro ballet, porque a “valsa valsa valsa”... a gente... começou da dança de salão. Hoje que ela deu uma modernizada. Mas, lá atrás, ela era bem dança de salão mesmo. Passei mais ou menos uns 10 anos nesse grupo, viu menino? Acho que com 8 anos no grupo, foi quando descobri que não queria mais fazer só dança de salão, pois nesse meio termo fiquei uns anos fazendo aula de Robson Correia na FUNCEB[1], que abriu meu horizonte em aulas que ministrava como grupo residente na época. Não era do curso técnico, era de grupo residente, e aí nessas aulas abri a minha vertente para o contemporâneo, para a dança moderna, para o Jazz. Fiz algumas aulas de Street Jazz com Hélio Oliveira, que abriu minha mente, de que talvez a gente pudesse mesclar mais a valsa com o que eu já tinha de dança de salão. Só que o grupo que eu fazia parte era muito tradicional e não deixava fazer isso, foi quando resolvi parar de participar desse grupo e vi que eu poderia criar outros grupos com coisas bacanas.


Recebi o convite de dois amigos pra montar o Valse D’amour. A gente se encontrou para falar da quadrilha e acabamos por lançar um grupo onde pudéssemos trazer outras vertentes de dança mescladas com a valsa e, junto com algumas das pessoas da quadrilha, trazer uma visão literária de obras que já são existentes, para a gente e compor na nossa visão, mesclando com outros ritmos. Foi assim que fundamos o Valse, em 15 de novembro de 2015, num feriado.


Logo de cara a gente remonta “Burlesque”, que é uma obra que todo mundo conhece e que conta a história de um bar de shows, que super bombou na internet. A gente trouxe “Burlesque” na visão de um grupo de valsa. Embarcamos nessa linha literária com histórias que já existiam como “Burlesque”, “Pierrot e Colombina”, "Drácula", “O menino de pijama listrado”. Remontamos todos esses na nossa visão, então sempre buscamos obras que já eram conhecidas no nosso meio artístico para mostrarmos um outro olhar, da visão que a gente tinha. Então, o Valse é mais ou menos isso, um grupo que foi fundado, na minha inquietação pelo comodismo, para fazer as coisas acontecerem.

Fotografia do acervo pessoal de Suana Emile


O nosso grupo tem muitos componentes homossexuais e alguns grupos de valsa são bem resistentes com isso, com o meio homossexual, com meninos gays que tem uma visão de ballet diferente daquela do homem como condutor másculo masculino e daquela ideia tradicional de dança de salão. Só dança homem e mulher, não dança homem com homem. Meu grupo quebra com isso também, os coreógrafos são quase todos gays... as pessoas que estão comigo. Inclusive temos duetos que são homens com homens e meninas com meninas. Tentamos mesclar bastante, porque é o que a sociedade precisa ver mesmo, e acreditar que é o normal na sociedade. Essa era mais uma inquietação minha e hoje meu grupo é um dos que têm mais componentes homossexuais, pois no Valse [apelido carinhoso do grupo] se encontram e percebem que são aceitos do jeito que são.


O Valse foi fundado no Santo Antônio além do Carmo. A gente ensaiava, na época, nas praças: em frente à igreja de Santo Antônio além do Carmo; e na praça em frente ao Salesiano, em Nazaré. Sempre sem fins lucrativos. A gente não tem nenhum tipo de auxílio, por incrível que pareça, esse ano foi a primeira vez que conseguimos nos inscrever em um edital, mas não foi com sucesso. Foi pela Aldir Blanc [2], ficamos como primeiro suplente e não conseguimos, pois não conseguimos fornecer comprovante de residência já que a casa do proponente era alugada, e passou do prazo para conseguirmos a declaração, mesmo suplentes era uma coisa muito rápida, cinco dias para entregar, a gente não conseguiu. Querendo ou não, era uma oportunidade para recebermos pela arte, pela cultura que a gente provê. Só faltou esse comprovante de residência e ele não aconteceu. Não era pra ser, né? Eu digo assim ‘não era pra ser’, mas foi a primeira vez que a gente se inscreveu. Foi válida a experiência. A gente já sabe como funciona, agora, para se inscrever. Antes, a gente já organiza as coisas. Tudo é assim: as coisas acontecem quando tem que acontecer. Aprendi dessa forma. Agora a gente já aprendeu. A gente se organiza melhor e na próxima a gente tenta.


Temos, em média, 28 pessoas dançando no grupo, 14 pares mais ou menos. Dentre eles, a menina mais nova tem 16 anos e a pessoa mais velha tem 29. Tem o pessoal também que já é mais velho e que tá muito entretido com a valsa. igual a mim, que não consegue parar. A vida tá rolando e a gente está conciliando tudo, porque é nosso lazer, e o lazer da gente é justamente fazer essa arte que a gente cria no Valse.


A diretoria do Valse é composta por componentes do grupo. Foi algo que zelei desde o início. Criar líderes, trazer pessoas que entraram como componentes para entender a realidade de um grupo, como ele funciona, pra, depois, se desejarem ter o seu próprio grupo, eles já terem a experiência de saber o que é ser líder, saber como a gente corre atrás das coisas.


No meu grupo, normalmente, todos os componentes ajudam com 10 reais mensalmente. Todo fim de mês a gente junta esse dinheiro para fazer uma reforma num figurino, para fazer um figurino novo. Os diretores ajudam como podem, tipo um ajuda com 50... com 100, outro procura ali algum apoio... a gente leva arte para as sinaleiras também, é uma forma de ajudar. 1 ou 2 reais a gente junta, vendemos brigadeiro na Liberdade e nos bairros que temos maior número de componentes. São formas de manter o grupo... para renovar figurino, deslocar para alguns eventos, concurso, que é aonde eu quero chegar. A gente só se apresenta em festivais que, geralmente, são voltados para dança mista ou pra valsa. Ano passado, em 2020, a gente nem teve nada porque a pandemia desestruturou, mas também, em 2019, só teve uma apresentação, que foi no SESC [3], que é um evento que acontece ali no Aquidabã. Às vezes tem uma ajuda de custo, às vezes não... é só pelo troféu, só pelo encontro de pessoas mesmo, que é o que acontece. Agora mesmo estamos participando de um festival: o “Valsa Salvador”, que era um concurso e se tornou uma mostra por conta da pandemia, por conta dos componentes não se encontrarem para ensaiar na pandemia. É a única mostra que a gente tem prevista no ano para mostrar os trabalhos que a gente tenta fazer em meio à pandemia. Vai ter uma ajuda de custo. Essa ajuda de custo pro Valse vai ser surreal porque a gente estava precisando desse dinheiro para criar um padrão no grupo, fazer novas camisas. Mesmo uma ajuda de 500, 300, 200 reais, pra gente, faz muita diferença. Tem muito grupo sem fins lucrativos que se mantém pelo suor mesmo, como o nosso, e aí, quando a gente acha uma oportunidade dessa, é muito suado, muito feliz, é muito... tipo: ‘vamos! a gente precisa acontecer’, então o Valse é basicamente isso.


T.G.: Como vocês compõem as obras? Como são realizadas as escolhas no processo de criação? Quais práticas vocês realizam, fazem aulas? Como são os encontros do grupo?


S.E.: Agora, por exemplo, a gente tá entrando num tema novo, então normalmente os diretores sugerem algumas histórias. Algumas são criadas e autorais, outras a gente tenta buscar. Como um dos diretores, dessa vez, indicou Charles Chaplin, aí todo mundo assiste Charles Chaplin e a gente começa a criar uma história do que entendeu do filme da nossa forma, viaja na estética para trazer aquela imagem que você assistiu e te lembra dessa forma. A gente busca na personagem, que é protagonista com ele, como ela se vestiria se tivesse dançando valsa. A gente tenta trazer o filme para o mundo da valsa. A gente meio que compõem uma história do jeito que tá vendo, então nosso processo de criação é basicamente esse. A gente vai juntando um pouquinho dali, um pouquinho daqui, pra trazer um trabalho artístico que lembra visualmente aquela história.

Como eu te disse, sempre fui muito inquieta com o ‘normal’, então sempre procurei mesclar dança de salão com um pouquinho de jazz, um pouquinho de dança moderna, com um pouquinho do contemporâneo, que é nosso forte. Trazer outros ritmos no mesmo grupo, no mesmo conteúdo.


A gente recebe alguns professores que vem dar aulas mistas gratuitamente. Robson Correia, por exemplo (que é meu padrinho na dança), de vez em quando aparece para dar um aulão... consegue limpar. Temos Felipe Paixão também com a gente, só que como ele trabalha na hotelaria, está quase sempre viajando. Quando ele está em Salvador a gente suga tudo que pode sugar. Ele limpa braços, limpa pernas, ele tenta ajudar de alguma forma, porque a gente cria tudo muito no grosso, né? ...do que entendemos, do que fizemos em aula, mas nem todo mundo é formado, não tem formação técnica como Felipe.


Então, nosso processo de criação é basicamente esse, a gente estuda… no grupo, mensalmente ou quinzenalmente, convidamos um profissional que possamos pagar o transporte, pelo menos, o deslocamento, um lanche... com o que conseguirmos colaborar. É uma aula de mais ou menos uma hora, duas horas, só pra realmente ascender a criatividade, ver outras movimentações, corrigir postura... e isso é bacana para nós. Nos encontros, chegamos e já vamos ensaiar alguma coisa, quando o professor vem, aí a gente pára e dá total atenção ao professor. Ele dá aula, a gente limpa, tira dúvida das movimentações, cria alguma coisa com o professor, aproveita muito, ao máximo que a gente puder. É basicamente isso! A gente chega, faz um alongamento, um aquecimento e mão na obra.


Antes a gente se encontrava terça, quinta e domingo, agora só aos domingos. Porque terça e quinta nos encontrávamos no Colégio Rubem Dário, no Curuzu. E em 2020, no início da pandemia, eliminaram todos os projetos culturais que haviam no colégio, porque o colégio iria fechar e os vigilantes não permitiriam essa entrada nos colégios. Assim, desde 2020, a gente perdeu todas as parcerias para ensaiar dentro de uma quadra. Então fomos ensaiar aos domingos, que tem um espaço de eventos na Pero Vaz, que libera quando temos alguma apresentação. Quando não tem, a gente não ensaia. Ou, como a gente fez duas vezes, ensaiou na praça do Humaitá, lá na Ribeira,. Só que os policiais deram uma barradinha, né? Porque é aglomeração. 28 pessoas juntas, ensaiando, mesmo com máscara, é considerada aglomeração. E aí, em outras, liberaram porque viram que estávamos gravando. Quando não tem espaço, a gente vai pra rua, se nos barrarem, voltamos pra casa. Aí vamos nos encontrando assim, com máscara e álcool, mas sem perder o objetivo atual que agora é participar do Valsa Salvador. Para o Valsa Salvador, gravamos minisséries e web séries contando um pouquinho da nossa história, de como a gente está recebendo o evento. Aí, dia 24 e dia 25, a gente vai gravar a apresentação que será transmitida dia 30 de Abril, numa live da mostra.


T.G.: Já que falaste da situação da pandemia, nos últimos meses vocês têm criado vídeos com essa temática e lançado na sua página. De onde veio a ideia e como vocês as realizaram?

S.E.: Deixa eu contar! Na verdade, o que a gente tá realizando era o que tínhamos escrito no edital, só que sem grana. A gente resolveu fazer mesmo assim. Já estávamos sonhando com isso. No edital a gente tinha solicitado um orçamento com ajuda de custo para todo mundo que estava participando, que era uma forma de ajudar os componentes. Como não conseguimos captar esse dinheiro, a gente está gravando com a roupa que temos, no lugar que temos, da forma que temos... perto de casa, numa praça... A gente vai se virando dessa forma, mas seguindo a proposta que era do edital. Basicamente isso.


Eram 10 vídeos, em 10 pontos turísticos de Salvador diferentes, contando realidades da pandemia, o que algumas pessoas passaram dentro ou fora de casa... Por exemplo: teve a história da menina que foi testada positivo, não contou pro namorado, passou pro namorado e o namorado ficou em estado terminal; ou a história de uma menina que apanhava em casa e ninguém sabia. Ela sofria esse abuso em casa de um padrasto, ninguém sabia, ela contou e a gente reformulou do nosso jeito. A nossa intenção com esses vídeos era relatar problemas que estão debaixo dos nossos olhos e que talvez, na arte, a gente consiga ver de outra forma. São histórias baseadas em fatos reais, em 10 pontos turísticos diferentes.



Frames extraídos do vídeo "Resultado" [4]


Em 2020, o grupo não produziu nada além de alguns vídeos challenges entre os componentes. Já no final de 2020, com a ideia do edital para 2021, foi que acendeu essa ideia de fazer duos, trios, pois para isso nos encontramos em menor número, três pessoas em média, e que assim dava pra saber melhor se testou positivo, se não testou, se tá com febre, se tá com pressão alta etc.


Quem coreografou foi Wendel Santos (também coreógrafo do grupo) e eu. A gente se encontrava, coreografava e gravava no mesmo dia, para não precisar de mais um encontro. Editamos e lançamos os vídeos. A intenção era essa: se encontrar para gravar um vídeo curto entre 1 a 3 minutos para lançar no perfil do Instagram e ascender a visibilidade do grupo, para que as pessoas conheçam o que a gente tá fazendo. Não deixar morrer, né? Deixar vivo!


Alguns componentes do grupo falam que não é um projeto social, mas é um projeto social! Hoje você tem componentes que poderiam ter outros rumos e eles conseguem se prender dançando. Você está fazendo o social sem sentir. Tem componentes que eu sei a realidade, que poderia ser outra, e que resolve dançar... e que as pessoas de fora olham e falam: ‘Meu deus, ele dança! não acredito que ele dança!’, ou seja, a gente consegue prender algumas pessoas que a gente não espera, mas se prendem com a dança. Muita gente dentro do grupo é entretida mesmo, que tem uma vida corrida mas tá ali dançando ainda. Eu digo a todo mundo que é justamente o lazer da gente, alguns vão sair pro bar, alguns vão se divertir e a gente tá dançando. Meu domingo de folga eu poderia fazer tudo... e eu tou no Valse, sem dúvida. Foi dessa forma que a gente fez os vídeos, para se encontrar, criar e lançar na internet. Muitos deles esperaram muito por esse momento, só que a transmissão da COVID foi piorando e a gente deu uma parada novamente, mas a intenção era semanalmente lançar um vídeo novo.


T.G.: Você me falou um pouco de algumas funções no grupo, a diretoria, os coreógrafos, os componentes. Poderia nos explicar mais sobre as atividades que desempenham?


S.E.: Temos 28 componentes e 12 diretores. Da diretoria só quem não dança é minha mãe, mais três pessoas e eu, o resto todos são componentes na diretoria. Eu sou presidente, coreógrafa e diretora artística, minha mãe é figurinista, e tem mais quatro componentes que são coreógrafos: Ramon Rafael, Welson Santos, Jonathan Souza e Mateus Almeida. Os quatro fazem acontecer o que eu descrevo: ‘ó, pensei isso, vamos falar sobre esse sentimento?’, ‘eu penso da gente ir por essa linha’. Cada um deles é forte em alguma coisa: um é muito bom em contemporâneo; outro no ballet clássico; outro na dança moderna; e o outro na dança de salão. Então temos quatro cabeças diferentes tentando pensar juntas. Aí eu faço: ‘ó... essa música que eu penso para falar sobre o amor, mas eu quero que passe por uma linhagem triste e a gente chegue aqui explodindo’, ‘quero um pouquinho de dança moderna e contemporâneo, mas quero ver a dança de salão existindo’. Aí a gente consegue costurar tudo junto com essa equipe de coreógrafos que tenho. Minha mãe, no figurino, tem mais dois diretores: um que é pro masculino e outro pro feminino... que conseguem visualizar os figurinos: ‘ó a gente vai precisar de 10 figurinos assim e assim’. Minha mãe desenha, escolhe as cores da cor da fita que vai entrar ali, da meia que a gente vai usar com a sapatilha...


Jonathan Souza, além de coreógrafo, também é responsável pela estética: maquiagem, cabelo e... se tiver alguma maquiagem artística, ele fica responsável por isso, porque é uma pessoa que discute junto para analisar o que a gente vai fazer. E tem mais uma pessoa além de Felipe, que é Caíque Motta, que pensa comigo na questão artística do trabalho... discutir sobre a história... pra onde vamos trazer a temática, pra onde vamos escrever. Aí somos Felipe Paixão, Caique e eu, juntos nisso. Tem também Juliana Reis que é nossa tesoureira e cuida das finanças. Silvano Proença que cuida da produção junto com Marquinhos (Givanildo), que é uma pessoa muito influente na dança também. Ele que sugere: ‘ó... a gente vai entrar só com isso, vamos usar a escadaria nesse momento, vamos usar um extintor, uma fumaça, uma luz...’


Sobre os vídeos, sou eu que faço tudo, meu amor! Sou aquela dona de grupo que melo minha mão mesmo, que vou, que faço, que quero ver acontecer. Dentro do mundo da valsa, quando criei o grupo, queria ser diferente do que os grupos eram na minha época... que esperava acontecer e já chegava pronto. Comigo não rola dessas. Eu quero ver tudo acontecer. Estou com pé machucado, eu tive um rompimento do ligamento no pé, estou de muleta há três meses, mas eu vou coreografar o grupo, eu vou pra limpar. Ai, quando eu digo a você que eu vou morrer, é que eu vou morrer, menino. Mas eu que gravo, que me jogo no chão para gravar, que levanto, que abaixo, que edito da forma que sei. Que aqui no grupo as pessoas esperam muito e quando a gente não tem renda, não pode pagar uma pessoa pra filmar, não pode pagar uma pessoa pra editar, não tem como alugar um drone para fazer uma gravação… Não existe isso! É tudo no meu celular. Fiiquei um ano sem celular pra poder comprar um celular bacana e é com ele que filmo, é nele que edito. A gente posta no Instagram e apaga do celular pra não ocupar memória, deixa no e-mail e bora gravar outro. Imagine se fosse um profissional gravando e editando, imagina se cada um recebesse a ajuda de custo de uns 200 reais. Nesse momento da pandemia, cada dançarino recebendo esse valor... Como essa família iria receber esse dinheiro? Se a gente pudesse pagar um figurino como a gente sonha? Como isso seria?

As pessoas que trabalham comigo na coreografia são pessoas que já fazem isso na sua rotina. Antes eram componentes que se tornaram líderes, com autonomia para fazer sem me esperar. Então, assim, a gente leva uma movimentação pro grupo... que sentimos, que causa um impacto, mas nem todo mundo consegue executar. Aí, a galera dá sugestão ou eles mesmos criam uma coreografia e trazem a nós, que analisamos para ver se todo mundo vai pegar.


Hoje, no grupo, tem coreografia de componente que nunca foi diretor ou coreógrafo. O grupo já dança sem nem saber quem foi que fez, praticamente, Então, assim, a galera contribui muito nessa pegada. E sempre quando tem uma aula, por exemplo, a de Ediney Silva, que faz ballet folclórico... ele foi e fez uma aula, no final desta aula a nossa atividade era fazer uma coreografia com a aula que ele deu. Aí, já usa ela rotineiramente porque ensaiamos todos os encontros essa mesma coreografia daquela aula. Tentamos ao máximo não perder o aprendido.


No nosso grupo já passaram nomes aos quais somos muito gratos. Ed Cruz, por exemplo, deu muita aula pra gente. Ele deu uma aula bem solta... pra se soltar mesmo, pra galera se sentir mais solta e leve. Porque a pegada dele é totalmente essa de dança moderna, pagode... essas também soltam. A gente teve aula de contemporâneo com ele. Outra pessoa bastante presente é Robson Correa, que deu aulas de dança moderna e Jazz. Ele também nos ajudou a sermos residentes na escola de dança da fundação cultural. Ficamos um ano como residentes da fundação usando salas para ensaiar. Muitos professores passavam por lá querendo contribuir de alguma forma, e isso é bacana... essa troca. Porque a gente tem uma coisa bem periférica de bairro e, estar no meio dessas pessoas que tem essas vertentes de dança, meio que abre e amplia o horizonte. Então somos muito gratos por isso.


T.G.: Vocês também dão aulas e/ou oficinas? E, me diz, como faz para ser parte do grupo?


S.E.: Em certo momento, estudamos a possibilidade de abrir oficinas nos colégios que a gente participava. E hoje eu digo que, para entrar no grupo, a pessoa precisa ter força de vontade, porque é um grupo que não vai estar no comodismo, só isso. É um grupo que vai fazer uma aula de dança moderna, que você vai se assustar com os professores, pois são professores competentes que vão aparecer, que vai dar um salto e vai querer que você dê um salto, que você pelo menos tente dar um salto. Então, assim, meu grupo meio que assusta as pessoas pela forma que ele dança, pela ousadia de trazer as coisas que não é o normal. Aí, as pessoas olham e falam: ‘eu não vou conseguir dançar aquilo ali’, mas vai, se tiver força de vontade, vai! Que ninguém nasceu sabendo e não vai ser a gente, né?


Então, eu digo que, para entrar no Valse precisa apenas força de vontade. E, como falei, temos uma mensalidade de R$ 10,00, que eu acredito não seja tão assustadora. Então, a pessoa só precisa ir presencialmente e preencher a ficha de cadastro: nome de pai, mãe, telefone, tipo de sangue, pois se ocorrer alguma emergência, a gente está ciente se é alérgico a algum tipo de medicamento. Tudo isso a gente faz na ficha de cadastro da pessoa e arquivamos tudo. Depois começa já a ensaiar. Quando começa a ensaiar, passa por um processo de alongamento primeiro pra não ter esse choque no corpo que não é acostumado. Depois desse processo de alongamento começamos gradativamente a ensinar as coreografias pra ele não se assustar e sair do grupo. Então, tentamos agregar, o máximo possível, as pessoas que estão chegando, mesmo que não tenham aptidão de dança porque a intenção maior é somar.


Como a nossa intenção é agregar pessoas, muitas pessoas no grupo eram de outros grupos que, ao descobrir que eu ia montar um, pensaram assim: ‘É minha oportunidade de dançar com ela, minha oportunidade de estar com ela’ e vieram pra cá. Então meu grupo, no início, não era muito aceito por isso, porque donos de outros grupos acharam que foi oportuno, que criei um grupo para tirar os componentes deles. E não foi! Eram pessoas que não se sentiam bem, não se sentiam livres nos grupos. Então, realmente, vieram pra ficar aqui. Eu digo sempre para os meus componentes: ‘eu não tenho medo nenhum de emprestar dançarinos para uma apresentação pro outro grupo’. Então, sempre libero meus componentes para participar de outras apresentações e projetos com outros grupos. Eu sei que isso acrescenta pra eles e que irão voltar de qualquer forma. Não tenho problema nenhum com isso.


T.G.: Você disse que o Valse é o seu lazer, então, à maneira de exemplo, qual seria o seu trabalho?


S.E.: Nada a ver! Isso é interessante e engraçado. Eu trabalho no RH. Trabalho com pessoas. Eu gosto mesmo de estar no meio do pessoal. O sonho do meu pai era que eu seja engenheira, mas quando eu descobri que iria trabalhar dentro de um escritório, eu fiz: ‘nunca na vida que eu vou conseguir trabalhar num escritório só pra ir ali assinar um papel e voltar’. Não consigo. Não dá pra ir por ali, não! Frustrei o sonho do meu pai. O Valse era pra ser uma realização para a minha vó, mas minha vó diz que eu sou maluca (risos) porque eu fico inventando valsa: ‘que maluquice é essa, menina?’ Porque ela não achou que eu gostasse tanto da dança.


T.G.: Lembro que você falou que, hoje em dia, se apresentam apenas em festivais e mostras... ou pelo menos era isso antes da pandemia começar. Então, as festas de 15 anos deixaram de ser um espaço para vocês se apresentarem?


S.E.: Antes, festa de 15 anos era tradicional, super tradicional, era o sonho das meninas. A gente dançava dois a três quinze anos num final de semana, hoje nos quinze anos tem valsa? Não. Os últimos três que o Valse participou foi pra gente montar uma valsa maluca, que era justamente dançar outros ritmos no momento que era pra dançar a valsa tradicional e ai fomos convidados pra dançar 'Anitta', por exemplo, entendeu? O sonho de uma menina era dançar anos 60, o outro ela queria a Bela e Fera, mas ela queria em 'Fitdance', é nesse estilo. Algumas vezes a gente recebe, outras vezes a pessoa só desloca a gente, dão um lanche e, aí, pra não ficar sem fazer, a gente faz. Mas antes isso era um contrato, a gente recebia por casal que dançava. Quando a valsa era valorizada, por exemplo, cada casal era R$ 30,00 a R$ 40,00, dez casais dava R$ 300,00 a R$ 400,00.


E fora que Fitdance, Tik-Tok, essas coisas, aproximaram as pessoas da dança. Muita gente hoje dança o que assiste. Não faz aula, não participa de nada, mas se intitulam dançarinos profissionais. Tem pessoas que ganham milhões em cima de quem estudou e aí desvaloriza... desvaloriza tudo que a gente faz. Entendeu? Então, assim, valsa hoje é tipo: ‘existe valsa ainda?’ Porque é totalmente surreal o que a gente faz para manter a categoria. E acredite, hoje tem uma média de uns 18 grupos.


T.G.: Nas obras que vocês criam, quais são as motivações para os temas?


S.E.: Tudo isso a gente vai vendo de diferente forma. Por exemplo, os meninos que participaram do Casa 4 [5]... Separei um casal, aí um contou a história de um médico no ápice da pandemia e a gente gravou na frente da UPA (unidade de Pronto Atendimento) daqui do Santo Antônio. Eles, da casa 4, pediram que fossem solos. Então gravamos como se fosse um médico no ápice da pandemia desesperado querendo sair do hospital e preso naquele momento ali. Então, foi muito emocionante isso, porque a gente sequer imagina como é desesperador, porque não sabemos como é. Queríamos gravar de uma forma que alcançasse as pessoas para que elas olhassem para os profissionais de saúde de alguma forma.


A outra menina... ela gravou sobre a saudade de uma pessoa que faleceu justamente por conta da COVID-19. Aí, ela queria falar de saudade. Os dois... A gente tentou gravar do jeito que eles viam, que queriam gravar nesse momento de pandemia, com o sentimento que realmente estava aflorando no pensamento. Ai, os dois vídeos que a gente gravou... a gente falou de algo triste e que ta na cara. Todo mundo tá vendo, mas ninguém consegue olhar com seriedade e talvez a arte leve isso de outra forma. Talvez a reflexão chegue de outra forma... tipo: poxa! O médico deve estar desesperado querendo sair do hospital e a gente tá reclamando que quer sair de dentro de casa.


Então, no Valse, a gente sempre tenta não dançar por dançar, tenta levar uma mensagem, deixar sublinhada alguma coisa para as pessoas refletirem... tipo, no “Burlesque”. A primeira história do grupo... a gente deixou no ar: ‘será que aquela dançarina que dança em um par, ela dança por amor à dança ou ela dança só por dinheiro? ou ela tá se prostituindo?’, porque as pessoas têm vários olhares, né? Então, na nossa primeira história, a gente já deixou indagado isso: 'será que ali tá sendo vulgar? Ou se ela tá dançando como uma arte? Se ela ama aquilo ou se faz só por dinheiro?’. Então a gente tenta deixar uma mensagem no que a gente faz pras pessoas refletirem, para as pessoas olharem e dizerem: ‘olha eles são diferentes realmente’... que consegue entender uma coisa. Não dançar por dançar. É uma coisa que a gente sempre lutou, não dançar por dançar.

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Durante a entrevista, muitas reflexões foram trocadas com Suana. Algumas delas vieram durante a revisão e edição do texto. É interessante perceber a relação dos grupos de valsa com as quadrilhas de São João, tanto nas composições que realizam, como no modo em que se organizam em funções e encontros. E essa relação se justifica, já que grande parte dos componentes deste grupo se conheceram nas quadrilhas ou participaram de alguma quadrilha em algum momento, alimentando, assim, a vontade de continuar se encontrando para dançar ao longo do ano e não só na época junina.


Os contatos com profissionais e espaços de formação, que se dão em oportunidades ocasionais, são muito importantes para a manutenção criativa do grupo. É nestas trocas que se ‘ampliam horizontes e se abrem as mentes’, como testemunha Suana, abrindo possibilidades e oportunidades para criar de outros modos, “fora do normal’.


Um dos procedimentos na criação que me pareceu bastante frequente na fala foi o de mesclar a valsa com outras técnicas, estilos e linguagens artísticas. Isso aparece quando Suana nos fala sobre as inspirações que o grupo tem a partir do contato com filmes e histórias, ou quando diz ‘pegamos um pouco daqui e dali’. É a partir da transfiguração dessas obras para o mundo da valsa, que acontecem as recriações. E este procedimento criativo muda quando o referencial para a criação não é mais uma obra pré-existente, mas sentimentos, testemunhas, ou experiências que atravessam seus componentes e que, na pandemia, ficou muito mais insistente.


Suana fala do grupo com muito carinho. Frequentemente, na entrevista, o sujeito de suas frases aparece como ‘a gente’. Isso me fez pensar na intensa relação afetiva existente entre ela e os demais integrantes e em como essa ideia de pertencimento, quase familiar, é importante para fortalecer um coletivo. Além disso, a família de Suana está envolvida diretamente com o grupo. Não só pelo fato de alguns membros fazerem parte da diretoria, como é o caso da mãe - que também assina os figurinos - e da irmã, mas também por ter sido num contexto familiar que a dança apareceu em sua vida. Como ela mesma aponta, a dança ‘cresceu em mim’.


No que se refere a grupos independentes de dança, vemos aqui um exemplo da luta que é continuar dançando. Principalmente quando isso é feito sem investimento; quando se tem uma responsabilidade social com seus componentes; quando as contribuições para a cultura não correspondem à visibilidade adquirida pelo grupo; quando é preciso criar outros meios comerciais para captação financeira (vender brigadeiro, fazer sinaleira etc.); quando o trabalho árduo é visto como lazer; quando não se tem um espaço adequado para atuar (seja nos ensaios ou apresentações); quando não se consegue entregar um documento para o edital; quando os únicos apoios oferecidos pelos contratantes se limitam ao deslocamento e ao lanche; quando é preciso competir com novos modos de fazer dança (relegando muitos grupos a um lugar ‘ultrapassado’); quando não é possível contratar profissionais que editam vídeos; quando não se tem equipamentos para produzir na pandemia; quando é preciso reutilizar figurinos; quando dançarinos e coreógrafos atuam em um ou mais grupos; ou quando, entre muito mais coisas, esses profissionais precisam trabalhar em outras profissões e ocupações.


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[1] Abreviação usada por muitos agentes da dança para se referir à Escola de dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia.


[2] Lei que promoveu editais emergenciais de cultura lançados pelo governo federal durante a pandemia para auxiliar as produções de agentes da arte e da cultura de todo o Brasil.


[3] SESC - Serviço Social do Comércio, instituição brasileira privada, mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e turismo, com atuação em todo âmbito nacional, voltada prioritariamente para o bem-estar social dos seus empregados e familiares, porém aberto à comunidade em geral.


[4] Vídeo disponível na pagina do grupo no Instagram: @valsedamouroficial


[5] Coletivo independente de dança da cidade de Salvador que pesquisa abordagens contemporâneas para a dança de salão, que em 2021 desenvolveu o projeto “Casa 4 pelos 4 cantos de Salvador” realizando oficinas e discussões on-line e gratuitas com Grupos de Valsa da cidade, assim como a produção de 12 vídeo-danças com os participantes. @casa4producoes





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